sexta-feira, 6 de abril de 2012

μελαγχολία

Cai a chuva e o céu é negro.

Ao tempo que precipitam gotas carregadas,

Os lobos a uivam à minha janela

Como se buscassem minha alma desencorajada.

Ouço o burburinho dos mistérios que escoam

pela rua que encharcou rapidamente,

Traga-me o anestésico, Piva.

Aqui a vida dói e arde.

Sinto falta daquilo que completa minha forma livre.

Aquilo, que me levou para além das fronteiras e

Antecedeu minha memória do belo e do sublime.

Está na minha origem como o prelúdio de Bach.

Não há nenhuma outra razão para amar,

Não há outra razão para amar a não ser amar.

Eu nasci e segui o insincero caminho

Das que cantavam com tanta doçura,

escolhi cada loucura que me ofertaram.

Essas manhãs de domingo justapostas

Que agonizam pela segunda espessa.


Eu quis o infinito, mas me deram a vida.

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

ἀρχή

Poesia escrita a duas bocas,

poros dilatados, erupção do suor,

incêndio não controlado.



Poesia escrita na cópula,

versos deslizantes, viris,

a carne aumentada, aflitiva.



Poesia escrita a quatro lábios,

seis lábios, alguns dedos, sua mão

em meu seio, meus olhos abertos.



Poesia escrita, linguagem trêmula,

transtorno na desordem do orbe,

nádegas mal comportadas, castigadas.



Poesia escrita no roçar dos pés,

encontro das barrigas quentes,

pelos corpos molhados nos lençóis.



Poesia escrita no desfalecer,

no recobrar a consciência,

espelho que reflete a arché

de toda a minha existência.


Tradução para a língua espanhola de FRANCISCO ÁLVAREZ VELASCO. Agradeço-lhe muitíssimo pela bela tradução querido Paco! Bisous, bisous!


ἀρχή

Poesía escrita a dos bocas,

poros dilatados, erupción del sudor,

incendio sin control.



Poesía escrita en la cópula,

versos deslizantes, viriles,

crecida la carne, doliente.



Poesía escrita a cuatro labios,

seis labios, algunos dedos, tu mano

en mi seno, mis ojos abiertos.



Poesía escrita, lenguaje trémulo,

trastorno en el desorden del orbe,

nalgas maltratadas, castigadas.



Poesía escrita con el rozar de los pies,

encuentro de los vientres calientes,

por los cuerpos mojados en las sábanas.



Poesía escrita en el desfallecer,

en el recobrar la conciencia,

espejo que refleja el arjé

de toda mi existencia.

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Inscrição no poema

Amei-te, amei-te demais,

fui à loucura

e não voltei, insanidade na minha cabeça,

desventuras, oh, minh’alma!

Beijar-te é sentir um mar de desesperados

se afogando continuamente sob um céu cinza.

Meu amor é uma janela aberta para a parede.

Transcreveram e confessaram

mágoas,

náuseas e

transtornos arrancados do peito.

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Novos poemas de Andityas Soares de Moura






Na nova edição do SUPLEMENTO LITERÁRIO DE MINAS GERAIS há um pequeno ensaio de Fábio Lucas sobre a poesia de Andityas (my masyter), além de dois belíssimos poemas inéditos.

Link do Suplemento aqui

Link do PDF com as poesias (página 22) aqui




O poeta também publicou uma resenha sobre a correspondência completa de
RIMBAUD. Viaje com as imagéticas palavras destes grandes poetas aqui.

Bisous, bisous!

sábado, 25 de junho de 2011

Desobediência Civil na Alcova

Artigo com o tema Desobediência Civil no Pensamento do Marquês de Sade com novas idéias.

Finalmente saiu a publicação virtual do Caderno de Resumo e dos Anais referentes ao I Congresso da AMPD (Associação Mineira de Pós-Graduandos em Direito), realizado em abril e maio de 2010, nas cidades de Uberlândia e Belo Horizonte. Meu artigo está na página 91 do PDF: http://www.ampd.com.br/anais2.pdf






"Assim Thoreau dialoga em sua obra com todos os concidadãos. Encerrado na prisão, por não contribuir com os impostos que patrocinavam ações arbitrárias do Estado, o autor se muniu das idéias e palavras com que criticou diretamente o "poder soberano" que o encarcerara: "Portanto, o Estado nunca enfrenta intencionalmente a consciência intelectual ou moral de um homem, mas apenas seu corpo, seus sentidos. Não está equipado com inteligência ou honestidade superiores, mas com a força física superior."(THOREAU, 2008, p. 39)"

Sade foi perseguido e preso, sendo condenado tanto pelo Antigo Regime, quanto pela França após a Revolução de 1789, ou seja, pela Monarquia, pela 1ª República, pelo Império e pela Restauração. Prisioneiro de todos, Sade teve seu corpo e seus sentidos subjugados pelo poder estatal durante vinte e sete anos em onze diferentes prisões; foi coarctado, encarcerado e seus livros, proibidos.


“Liberdade? Ninguém nunca foi menos livre, dir-se-ia um rio de sonâmbulos. Igualdade? Não há nenhuma igualdade, a não ser a das cabeças decepadas. Fraternidade? A delação nunca foi tão ativa. Se a intenção fosse pôr a nu o nó das paixões humanas, que encerram a aniquilação de todos por todos, o sucesso não teria sido maior. Sim, todos querem a morte de todos, isto é verdade.” (In: Sade contra o Ser Supremo, 2001, p. 73)






sexta-feira, 24 de junho de 2011

Music to Jim's poetry





Ghost Song

Awake.
Shake dreams from your hair
my pretty child, my sweet one.
Choose the day and choose the sign of your day
the day's divinity
First thing you see.

A vast radiant beach and cooled jeweled moon
Couples naked race down by it's quiet side
And we laugh like soft, mad children
Smug in the wooly cotton brains of infancy
The music and voices are all around us.

Choose they croon the Ancient Ones
the time has come again
choose now, they croon
beneath the moon
beside an ancient lake

Enter again the sweet forest
Enter the hot dream
Come with us
everything is broken up and dances.

Indians scattered,
On dawn's highway bleeding
Ghosts crowd the young child,
Fragile eggshell mind

We have assembled inside,
This ancient and insane theater
To propagate our lust for life,
And flee the swarming wisdom of the streets.

The barns have stormed
The windows kept,
And only one of all the rest
To dance and save us
From the divine mockery of words,
Music inflames temperament.

Ooh great creator of being
Grant us one more hour,
To perform our art
And perfect our lives.

We need great golden copulations,

When the true kings murderers
Are allowed to roam free,
A thousand magicians arise in the land
Where are the feast we are promised?

One more thing

Thank you oh lord
For the white blind light
Thank you oh lord
For the white blind light

A city rises from the sea
I had a splitting headache
From which the future's made



"A primeira vez que descobri a morte… eu, os meus pais e os meus avós, íamos de automóvel no meio do deserto ao amanhecer. Um caminhão carregado de índios, tinha chocado com outra viatura e havia índios espalhados por toda a auto-estrada, sangrando. Eu era apenas uma criança e fui obrigado a ficar dentro do automóvel enquanto os meus pais foram ver o que se passava. Não consegui ver nada – para mim era apenas tinta vermelha esquisita e pessoas deitadas no chão, mas sentia que alguma coisa se tinha passado, porque conseguia perceber a vibração das pessoas à minha volta, então de repente apercebi-me que elas não sabiam mais do que eu sobre o que tinha acontecido. Esta foi a primeira vez que senti medo… e eu penso que nessa altura as almas daqueles índios mortos – talvez de um ou dois deles – andavam a correr e aos pulos e vieram parar à minha alma, e eu, apenas como uma esponja, ali sentado a absorvê-las."

Jim Morrison